A despedida de Francesco Totti do mundo do Futebol e video de golos

Obrigado Francisco Totti

Francesco Totti é um futebolista italiano que atua como meia e atacante. Foi campeão do mundo em 2006 pela seleção italiana. No curso de sua carreira profissional, sempre militou na Roma, equipe da qual também é capitão e camisa dez

Nasceu a  27 de setembro de 1976 (40 anos), Roma 

A carta de despedida de Francesco Totti

” Obrigado, Roma.

Obrigado mãe, pai, irmão, familiares e amigos. Obrigado à minha mulher e aos meus três filhos. Quero começar pelo fim, pelas despedidas, porque não sei se serei capaz de terminar estas linhas.

É impossível resumir 28 anos em algumas frases.

Gostaria de fazer isto com uma canção ou um poema, mas não sou capaz de os escrever. Ao longo de todos estes anos, usei os pés para falar, o que tornou tudo muito mais simples. Assim foi desde criança.

Por falar na infância, conseguem adivinhar qual era o meu brinquedo favorito? Uma bola de futebol, claro! Ainda é. Mas crescemos ao longo da vida. Foi isso que me disseram e que aconteceu.

Maldito tempo.

Tempo que, no dia 17 de junho de 2001, só queríamos que passasse mais rápido. Não aguentávamos esperar mais pelo apito final. Ainda me arrepio quando me lembro daquele dia. Hoje, esse mesmo tempo bateu-me nas costas e disse: “Nós precisamos crescer. Amanhã, serás um adulto. Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem e não poderás continuar a sentir o cheiro da relva, o sol a bater no rosto enquanto assistes ao golo dos rivais, a adrenalina a consumir-te, a satisfação de celebrar’.

Nos últimos meses, perguntei à minha mulher porque é que eu estava a ser acordado deste sonho. Imaginem que vocês são crianças e estão a ter um bom sonho. De repente, a vossa mãe acorda-vos para irem para a escola. Vocês querem continuar a sonhar, tentam dormir outra vez, mas já não é possível…Desta vez, não é um sonho. É realidade. E eu não posso voltar a dormir.

Quero dedicar esta carta a todos vocês. A todas as crianças que torceram por mim. Às crianças de ontem, que cresceram e hoje são pais, bem como às crianças de hoje que talvez gritem “Tottigol”. Gosto da ideia de que, para vocês, a minha carreira é um conto de fadas a ser contado.

Agora é realmente o fim. Vou tirar esta camisola pela última vez. Ficará guardada, ainda que não esteja pronto para dizer “chega”. Talvez nunca esteja.

Peço desculpa por não dar entrevistas para esclarecer os meus pensamentos, mas não é fácil apagar a luz. Tenho medo. E não é o mesmo medo que se sente quando se está na cara do golo, prestes a bater um pénalti. Desta vez, não posso ver o que está à minha frente como via pelos buracos da rede.

Permitam-me que tenha medo. Desta vez, sou eu que preciso de vocês e do amor que vocês sempre me deram. Com o vosso apoio, vou conseguir virar a página e começar uma nova aventura.

Agora, é hora de agradecer a todos os meus companheiros de equipa, treinadores, diretores, presidentes e todos os que trabalharam ao meu lado nesta jornada.

Para os adeptos e à Curva Sud, faço uma referência a todos os romanos e romanistas. Ter nascido romano e romanista é um privilégio. Ser o capitão desta equipa é uma honra.

Vocês são e sempre serão a minha vida. Os meus pés vão deixar de vos emocionar, mas o meu coração estará sempre com vocês. Vou descer as escadas e entrar no balneário que me acolheu ainda criança e que agora deixarei com um homem.

Estou orgulhoso e feliz de ter dado ao Roma 28 anos de amor.

Amo-vos”.

Francesco Totti, grande ídolo da torcida da Roma, vive na capital italiana desde o dia 27 de Setembrode 1976, quando veio ao mundo. Com nove meses de idade, já caminhava e sabia chutar uma bola. Paixão à primeira vista. “Mas ele nunca quebrou nada em casa”, conta a mãe Fiorella. O garoto sabia como controlar sua melhor amiga.

Aos cinco anos, Francesco foi acompanhar um torneio entre equipes infantis na praia. O pai, Enzo, pediu a um dos times que deixasse o menino jogar por alguns minutos, apenas para se divertir. Francesco era magro e baixo para a idade. A insistência do pai deu resultado, e em poucos minutos o pequeno Totti marcou dois gols. Depois, não quiseram deixá-lo sair. Ficou para os dois jogos seguintes.

A primeira equipe foi a Fortitudo, descendente de um dos clubes fundadores da Roma em 1927. Talvez um sinal do destino. Totti tinha apenas sete anos e já estava acostumado a ser o menor e o melhor do time. O uniforme sempre ficava largo. Aos 8, defendeu a Smit Trastevere, tradicional equipe amadora da capital.

Totti jogava no meio-campo. Habilidoso, driblador e técnico, mostrava ter uma visão de jogo incomum para a idade. No ano seguinte, foi convidado a jogar na Lodigiani, equipe séria e com tradição na formação de atletas. Foi lá que obteve seu primeiro registro como jogador de futebol.

No tempo livre, não se importava com os passatempos comuns às outras crianças. Ficava no quarto e assistia futebol. Qualquer partida, fosse de times italianos ou estrangeiros. O amor pelo esporte virou amor pela Roma. Acompanhado pelos tios e pelo irmão Riccardo, todos romanistas, Francesco começou a freqüentar os jogos no estádio Olimpico.

Se não tivesse se tornado um torcedor da Roma, Totti provavelmente teria iniciado a carreira na rival Lazio, que chegou na frente e fechou um acordo com a Lodigiani para levar o novo talento. É claro que a Roma sabia da existência de um atleta promissor, mas só conseguiu levá-lo porque se tratava de um apaixonado pelo clube.

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