Após 23 anos, Ricardo Teixeira renuncia e não é mais presidente da CBF

Ricardo Teixeira não é mais o Presidente da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo 2014 (COL). A notícia veio no começo de tarde desta segunda-feira (12 de março) e pegou muitos de surpresa. Teixeira era presidente da confederação desde 1989, de lá para cá, foram muitos títulos e muitas polêmicas.

Por ser o vice mais idoso, José Maria Marin (79 anos), seguindo o artigo 37 do estatuto da CBF, o ex-governador do Estado de São Paulo, ex-jogador do São Paulo FC e ex-vice-presidente da CBF (representando a região Sudeste) assumirá definitivamente o cargo de presidente da entidade maior do futebol brasileiro, a CBF, e presidente do Comitê Organizador Local da Copa-2014, substituindo Ricardo Teixeira nos dois cargos. Marin será o presidente da CBF até depois da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, em 2015, onde serão realizadas novas eleições para decidir o presidente da CBF dali para frente.

A seguir, você verá todos os detalhes desta notícia, destaque no país inteiro. Você poderá ver a carta de renúncia de Ricardo Teixeira, conhecer o novo presidente da CBF, e, para ajudar a entender tudo sobre, haverá link’s complementares.

Ricardo Teixeira, CBF

(Créditos da Imagem: Gustavo Tilio / GLOBOESPORTE.COM))

Ricardo Teixeira renunciou a presidência da CBF por problemas de saúde. Na última quinta-feira, Teixeira havia pedido licença do cargo.

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Ricardo Teixeira

Nascido em 20 de junho de 1947 (64 anos) em Carlos Chagas, Minas Gerais, Ricardo Terra Teixeira foi genro de João Havelange. 18º Presidente da CBF, Teixeira foi eleito presidente da confederação em 16 de janeiro de 1989, derrotando Nabi Abi Chedid, sendo o sucessor de Octávio Pinto Guimarães, como presidente da CBF.

Ao longo de 23 anos na presidência, Ricardo Teixeira teve muitas conquistas e polêmicas. Em sua gestão, ele criou a Copa do Brasil (considerado o torneio entre clubes mais democrático do Brasil), e criou um novo tipo de disputa para o Campeonato Brasileiro: o de sistema de pontos corridos. Sua maior conquista acontece em 2007. Ricardo Teixeira, junto com o governo brasileiro, traz a Copa do Mundo de 2014 FIFA para o Brasil. Ricardo Teixeira também, em sua gestão, criou a Copa do Brasil Feminina, após muitos anos de discussão sobre campeonatos de futebol para mulher no Brasil.

Como presidente da CBF, a Seleção Brasileira de futebol disputou 5 Copas do Mundo, conquistando duas. Na primeira, em 1990, na Itália, após conquistar a Copa América de 1989, o Brasil é eliminado nas quartas pela Argentina. Na segunda, em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil conquista o tetracampeonato, após 24 anos sem conquistar o Mundial de seleções. Em 1998, o Brasil e vice-campeão da Copa do Mundo na França, perdendo para os donos da casa, em partida que ainda dá o que falar. Em 2002, o Brasil chega a sua terceira final de Copa seguida; conquistou o título, e diminuiu um pouco das polêmicas que sofria. Em 2006 e 2010, o Brasil é eliminado nas quartas-de-final.

O penta da seleção brasileira em 2002. Esse ano faz 10 anos

Números
23 anos à frente da presidência da CBF
2 Copas do Mundo FIFA (1994 e 2002)
5 Copas América
12 técnicos dirigiram a seleção nesses 23 anos

Matéria do GLOBOESPORTE.COM com a linha do tempo da vida de Ricardo Teixeira

Polêmicas

Em 2001, Teixeira foi um dos alvos de investigação da CPI do Futebol e da Nike, sendo que foi absolvido das acusações, da CPI do Futebol, no Senado, de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Em 2005, é descoberto o escândalo da arbitragem no Campeonato Brasileiro. São anulados 11 jogos, e CBF dá título ao Corinthians. Em 2008, a Polícia Civil de Brasilia investiga CBF se ouve ou não superfaturamento no amistoso Brasil x Portugal, realizado em Gama/DF. Em 2010, CBF unifica títulos da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, fazendo com que Palmeiras e Santos tornem-se os maiores campeões nacionais, com 8 títulos. Em 2011, Ricardo Teixeira é acusado pela BBC (rede de TV britânico) de usar dinheiro irregular da empresa falida, ISL.

O Portal UOL faz uma lista das polêmicas e acusações contra Ricardo Teixeira à frente da CBF.

Veja na íntegra a carta de renúncia de Ricardo Teixeira à presidência da CBF, lida por José Maria Marin:

“Ser presidente da CBF durante todos esses anos representou na minha vida uma experiência mágica. O futebol, no Brasil, é mais que esporte, mais que competição. É a paixão que envolve, é o sofrimento que alegra, é a fidelidade que unifica.

Por essas razões, pensei muito na decisão que ora comunico e pensei muito no que dizer sobre minha decisão.

Presidir paixões não é tarefa fácil. Futebol em nosso país é sempre automaticamente associado a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos, despertou o talento. Quando perdemos, imperou a desorganização.

Fiz, nestes anos, o que estava ao meu alcance, sacrificando a saúde, renunciando ao insubstituível convívio familiar. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias. Mas isso é muito pouco, pois tive a honra de administrar não somente a Confederação de Futebol mais vencedora do mundo, mas também o que o ser humano tem de mais humano: seus sonhos, seu orgulho, seu sentimento de pertencer a uma grande torcida, que se confunde com o país.

Ao trazer a Copa de 2014, o Brasil conquistou o privilégio de sediar o maior e mais assistido evento do mundo, se inseriu na pauta mundial, alavancou mais a economia e aumentou o orgulho de todo o povo brasileiro.

Tentei, no limite das minhas forças, organizar os talentos. Nas minhas gestões, criamos os campeonatos de pontos corridos e a Copa do Brasil, aumentamos substancialmente as rendas do futebol brasileiro, desenvolvemos o marketing e, principalmente, vencemos.

Hoje, deixo definitivamente a presidência da CBF com a sensação do dever cumprido. Não há sequência de ataques injustos que se rivalizem à felicidade de ver, no rosto dos brasileiros, a alegria da conquista de mais de 100 títulos, entre os quais duas Copas do Mundo, cinco Copas América e três Copas das Confederações. Nada maculará o que foi construído com sacrifício, renúncia e dor.

A mesma paixão que empolga, consome. A injustiça generalizada, machuca. O espírito é forte, mas o corpo paga a conta. Me exige agora cuidar da saúde.

Em obediência ao estatuto da CBF, mais precisamente ao disposto em seu artigo 37, você, meu vice-presidente e ex-governador de São Paulo, José Maria Marin, passa a presidir a CBF. A você, desejo sorte, para que o talento se revele na hora certa; discernimento, para que o futebol brasileiro siga cada vez mais organizado e respeitado; e força, para enfrentar as dificuldades que certamente virão.

Deixo a CBF, mas não deixo a paixão pelo futebol. Até por isso, a partir de hoje e sempre que necessário, coloco-me à disposição da entidade. Reúno-me com mais força à minha família, que entendeu minha missão, apoiou-me sempre e me faz ainda mais feliz.

Agradeço de maneira especial aos presidentes de clubes e das federações estaduais, aos dirigentes e colaboradores da CBF, amigos leais em quem sempre encontrei apoio incondicional para o desempenho de meu trabalho.

À torcida brasileira, meu muito obrigado. Nunca me esquecerei das taças sendo erguidas. Elas estão no coração de cada um de nós. Elas são um pedaço do Brasil.”

Ricardo Terra Teixeira

Com vocês, seu novo presidente: José Maria Marin

jose maria marin

(Créditos da Imagem: Agência Gazeta Press)

O novo presidente da CBF, José Maria Marin, nasceu em 6 de maio de 1932, em São Paulo. Marin era o vice-presidente da CBF, representado o Sudeste, e por ser o mais velho vice-presidente, assumiu a presidência da entidade, após renúncia de Teixeira. Marin também será presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014.

José Maria Marin já foi jogador do São Paulo Futebol Clube, nos anos 50. Em 1955, após não dar certo no futebol, Marin formou-se em Direito. No início da década de 80, após ter sido Deputado, governou o Estado de São Paulo por dez meses, substituindo Paulo Maluf. Nesta mesma época, ele foi presidente da Federação Paulista de Futebol. Foi chefe de delegação da Seleção Brasileira na Copa de 1986, e, desde 2008, era o representante da CBF na região Sudeste.

Não mudará muita coisa na CBF. Saiba o porquê. (José Maria Marin “roubou” medalha na final da Copa SP.)

Segundo o portal GloboEsporte.com, apesar da mudança na presidência, José Maria Marin garantiu que irá dar continuidade ao trabalho de Ricardo Teixeira.

 Todos os diretores e vice-presidentes da CBF colocaram seus cargos à disposição quando souberam da renúncia do Ricardo Teixeira. Mas nada mudará, todos continuarão. Será dada continuidade a uma gestão respeitada em todo o mundo. Se eles são da confiança do Ricardo Teixeira, são da minha confiança também.

José Maria Marin falando em sua coletiva

As reações do público

As tags “#CBF” e “#Ricardo Teixeira” foram os assuntos mais comentados desta segunda feira, nas redes sociais. Usuários de um microblog comentaram o assunto, comemorando a saída de Teixeira. Enquanto uns comemoravam, outros acreditavam que não vai mudar muita coisa com a mudança do nome do presidente.

Saída de Teixeira provoca reações distintas no futebol brasileiro – GLOBOESPORTE.COM

Clubes como São Paulo, Santos e Corinthians desejaram, por meio de notas, boa sorte ao novo presidente. O Corinthians se pôs a disposição do novo presidente (veja aqui). Já o São Paulo, vê essa mudança com “bons olhos”, já o novo presidente já foi jogador do time, e acha que com isso, a relação “São Paulo – CBF” pode melhorar, já que com Teixeira nem sempre foi tão boa (veja aqui).

Diretor de Seleções da CBF, Andrés lamenta renúncia de Ricardo Teixeira – GLOBOESPORTE.COM

O Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que irá trabalhar com “harmonia” com novo presidente (veja aqui e aqui). Até o momento, a FIFA não se pronunciou, em seu site, sobre a saída de Teixeira.

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É, amigos. Agora é você: o que vocês acham sobre isso tudo? Comente!!!!

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1 Resultado

  1. Excelente artigo parceiro Alan, sinceramente acho que já devia ter saído após o Brasil ter perdido a Copa de 2010. Enfim foi bom mais poderia ter sido mais consistente, abraço.

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